Domingo, 12 de Maio de 2013

Resgate de uma geração

Agora, Pagamos a conta! 

Este mês que passou desde o ultimo artigo que escrevi, curiosamente o primeiro da serie, tanto por Aveiro, como no país o tema finanças foi algo de muito próximo dos órgãos de comunicação social, senão vejamos.

O último relatório e contas do mandato 2009-2013 do executivo municipal liderado por Élio Maia foi um momento que teve tanto de importante como de estranho, por ser o último do mandato, por ser o último com o atual presidente de camara, por permitir saber se a herança que o PSD e a coligação deixam ao município é melhor ou pior do que aquela que foi herdada.

Foi um ponto de situação, a meio do trajeto para o objetivo final, o equilíbrio financeiro da autarquia! 

Assim, o ponto a que chegamos no final de 2012, ainda que muito longe do ideal, ainda muito longe de poder considerar que estamos com as contas a pensar na minha e na próxima geração, pois 130 milhões de euros de divida não é herança que se deixe a ninguém! Mesmo com uma redução superior a 1 milhão de euros por mês de média no ultimo ano, registada sobretudo no curto prazo, verificando-se uma melhor estruturação da divida para quem vier a liderar a autarquia em 2013-2017.

Mas com receitas de cerca de 40 milhões de euros registadas em 2012, o binómio divida/receita contínua superior a 300% de divida face a receita. Alguém geriu a autarquia sem pensar no nosso futuro e na minha geração. Parece-me claro que a JSD tinha razão em 2005 ao criar o Homem do Fraque, pois era imperioso pagar, pagar, pagar! O executivo liderado por Alberto Souto e pelo Partido Socialista foram responsáveis desta gestão, tal como o antigo vereador Eduardo Feio, que esteve com Souto 8 anos e nos deixou esta herança.

Continua a ser uma herança muito pesada para se deixar ao próximo executivo, mas é diferente, muito diferente da recebida em 2005.

A melhoria evidente nos resultados espelha o trabalho feito e que deverá continuar a ser feito.

Em termos financeiro e contabilísticos e financeiros a autarquia está melhor que em 2011, muito melhor que em 2005! Esta é também uma herança que o PSD deve preservar… e que o PS não conseguiu contrariar e criticar! Significativo!

Eu compreendo que os aveirenses, tal como eu gostassem de ver investimentos noutros campos, noutras áreas, mas a prioridade teve de ser outra, pagar! Longe vai o discurso dos números a rondar os 200 milhões de dívidas, foram outras governações onde não devemos voltar, pois é preciso não esquecer o passado e os seus responsáveis, pois mais cedo ou mais tarde seremos nós, com os nossos impostos a pagar todos os desvarios dos nossos governantes.

Vejamos a nível nacional, foi recentemente colocada uma tranche de 3 mil milhões de euros a 10 anos, a uma taxa de 5,6%, sensivelmente, ainda muito alta para o crescimento económico apresentado por Portugal, mas algo impensável ainda à bem pouco tempo, este era um desafio colossal, como diria Vítor Gaspar, mas Portugal conseguiu superar mais este desafio e a procura superou a oferta em 3,5 vezes. Uma vitória dos portugueses!

Se eu preferia que a taxa de desemprego diminui-se em vez de conseguir emitir divida, claro que sim! Um desemprego de 17,7% não é salutar para nenhuma economia, principalmente numa em que 95% das empresas são PME`s e vivem do mercado nacional, onde a procura interna não existe neste momento!

Começamos a chegar ao momento em que o norte da europa começa a sofrer com a diminuição da procura do sul, Holanda em recessão no primeiro trimestre do ano, por exemplo, muitos outros em claro abrandamento, tornando mais fácil ao sul negociar este momento e falar em momento de viragem, passando da agenda da austeridade, para a agenda do crescimento económico, da criação de emprego e principalmente da criação de emprego jovem, 40% em Portugal, 60% na Grécia!!! Absolutamente assustador para futuro!

Assim, enquanto o serviço de divida absorverem uma enorme fatia das nossas receitas locais ou nacionais, o caminho não será muito diferente do atual, mas terá de gerar emprego, gerar emprego jovem, terá de gerar economia e crescimento, a bem do futuro, a bem da sustentabilidade das gerações futuras!

Bruno Costa
Membro da Assembleia Municipal de Aveiro (PSD)
Ex-Presidente JSD Aveiro

Domingo, 5 de Maio de 2013

Presidente da JSD/Aveiro exalta “formação de qualidade” dada aos jovens do partido


A presidente da JSD Regional de Aveiro defendeu que “a formação, de qualidade, de rigor e de excelência é uma aposta e uma marca” da estrutura. Catarina Pereira falava na sessão de encerramento da sexta edição do “Aveiro em Formação – Jornadas do Poder Local”, que no passado fim de semana decorreu em Aveiro. Na mesma sessão, o presidente da Distrital do PSD, Ulisses Pereira, enalteceu as lições que os jovens puderam levar dali.
“Acreditamos que para servir a causa pública devemos estar preparados para isso. A responsabilidade de servir os outros e de gerir o que é de todos é muito maior do que a responsabilidade de gerir o que é só nosso. É por isso que quem quer e quem vai nos próximos anos servir a causa pública deve estar bem preparado para isso, deve dar mostras da sua capacidade, da sua competência e do seu mérito” – afirmou Catarina Pereira, no balanço da iniciativa que juntou diversas figuras e produziu testemunhos de alguns dos melhores autarcas do distrito de Aveiro.
Referindo-se à importância que atribui às jornadas, a presidente da JSD/Aveiro sublinhou que “de nada adianta criar uma lei de limitação de mandatos se depois não se der a oportunidade aos jovens de fazerem parte dessa renovação que a lei pede e que é necessária”. Olhando para dentro e referindo-se ao PSD, disse não poder “investir tantos recursos, como o faz, e bem, nestes nossos jovens e depois não aproveitar esse investimento que faz neles”.
Catarina Pereira antecipou o processo autárquico em curso, para o qual deu o desafio da JSD como sendo maior do que nunca. “O novo quadro legislativo obriga a que uma substancial parte dos quadros autárquicos sejam renovados um pouco por todo o país. Tendo em conta que o PSD é a maior força autárquica do nosso país e do nosso distrito, muitos poderiam encarar este cenário com preocupação” – concluiu.
Na mesma sessão, o presidente da Distrital do PSD, Ulisses Pereira, sublinhou a importância da iniciativa, que disse “ter já ganho tradição”. O deputado social democrata valorizou “o contacto dos jovens com exemplos de boa gestão autárquica”, como uma forma de os preparar, não apenas para as próximas eleições, como para o futuro da sua atividade política.

Quarta-feira, 1 de Maio de 2013

Concelhia acolheu sexta edição do Aveiro em formação

A concelhia de Aveiro da Juventude Social Democrata (JSD) acolheu no passado fim-de-semana, no Hotel Meliá Ria, a sexta edição do Aveiro em formação, organizado pela Regional de Aveiro da JSD.

Durante 3 dias (26, 27 e 28 de Abril) cerca de 60 jovens reuniram-se no coração da cidade de Aveiro sob o tema "Poder Autárquico".

A formação serviu essencialmente para os jovens conhecerem boas experiências a nível regional e nacional de gestão autárquica e aprofundar conhecimentos relativos às Assembleias Municipais e à realização de campanhas eleitorais.

Na sua sexta edição, o evento contou com a presença de vários representantes do Partido Social Democrata (PSD), entre elas, Luís Montenegro, líder do Grupo Parlamentar do PSD e José Matos Rosa, secretário-geral dos Sociais Democratas.

Ulisses Pereira presidente da distrital do PSD Aveiro e de Victor Martins, presidente da concelhia de Aveiro do PSD.

Sexta-feira, 19 de Abril de 2013

JSD defende a eleição directa do Presidente da Comissão Europeia

A Juventude Social Democrata foi a Berlim defender a eleição directa do Presidente da Comissão Europeia e a nomeação dos Comissários Europeus entre os Eurodeputados.

Relativamente à eleição dos comissários europeus, que são actualmente nomeados pelos governos nacionais, a JSD propõe que passem a ser eleitos entre os eurodeputados escolhidos em cada país.

Em termos práticos, o candidato a eurodeputado com mais votos a nível nacional seria designado como comissário.

 Luís Viegas Cardoso, coordenador do gabinete de relações internacionais da JSD, disse que o método que propõem para a eleição dos comissários europeus “seria uma forma de garantir uma representatividade mais directa em que os próprios eleitores saberiam que aquele seria o representante de Portugal”.

 Em última análise, os jovens sociais-democratas consideram que o processo tornaria “tudo mais claro” uma vez que os cidadãos europeus votariam para os representantes máximos na Comissão Europeia.

 A JSD junta assim a sua voz à resolução aprovada em Novembro de 2012 pelo Parlamento Europeu que propõe que a eleição por sufrágio universal se realize já em 2014.

 Durão Barroso, o actual presidente da Comissão Europeia, é também um defensor de que o seu sucessor seja eleito directamente pelos cidadãos europeus.

Fonte: Público

Quarta-feira, 10 de Abril de 2013

Resgate de uma geração

Bruno Costa, Membro da Assembleia Municipal de Aveiro, inicia esta quarta-feira dia 10 de Abril uma nova rubrica no blogue da JSD Aveiro.

A partir de hoje e todos os dias 10 de cada mês, Bruno Costa, Presidente Honorário da JSD Aveiro, irá expor aqui o seu ponto de vista sobre a actualidade política regional, nacional e internacional.

Para além de ex-presidente da JSD Aveiro, Bruno Costa foi já vogal da Comissão Política Nacional e Conselheiro Nacional, tendo sido também eleito recentemente como militante honorário da JSD Nacional.

"Resgate de uma geração" foi o título escolhido pelo primeiro cronista deste blogue.


Um País Inconstitucional!


Um desafio efetuado pela Concelhia da JSD que de pronto aceitei, por ser autarca eleito pela estrutura, por não esquecer as minhas origens politicas… Assim passarei a assinar um artigo de opinião mensal no blog da estrutura local sobre os factos mais relevantes da atualidade e dos últimos meses, que têm sido férteis em fenómenos políticos, uns positivos, outros nem tanto…
 O regresso de Sócrates, no canal do serviço público, a RTP, é talvez o mais controverso dos últimos acontecimentos. Dois anos depois, o ex-Primeiro-Ministro quebrou o silêncio (que devia ter continuado, a bem da nação) numa entrevista de puro revanchismo com alvos devidamente selecionados, nomeadamente o Sr. Presidente da Republica, insinuando que havia sido um dos responsáveis pela sua saída e nunca a sua incapacidade para liderar o País em determinado momento. Mas num curto exercício de memória vale a pela recordar o ex-Presidente Jorge Sampaio que mediante a saída de Durão Barroso para Bruxelas, aceitou a indicação de Santana Lopes para Primeiro-Ministro, apenas porque o PS de Ferro Rodrigues não estava preparado, mas quando o mesmo Sócrates assumiu o PS, rapidamente o ex-Presidente destituiu a Assembleia da Republica, tinham passado três/quatro meses, Sócrates com dois pesos e duas medidas… Mas o mais grave de toda a entrevista, foi a sua incapacidade para assumir responsabilidade na situação passada e atual do País e redimir-se. Foram demasiados anos de governação, primeiro ao lado de António Guterres (que já assumiu alguma da responsabilidade e pediu desculpa, não resolve mas fica-lhe bem!!!) como membro do Governo e posteriormente como Primeiro Ministro, que ao melhor estilo Soarista convocou o FMI e a Troika para ajudar a governar Portugal.
O regresso cuidadosamente preparado não é inocente, curiosamente considero que não é mais perigoso para o Governo do que para o próprio PS, senão vejamos, Seguro viu-se obrigado a apresentar uma moção de censura à pressa e sem qualquer proposta alternativa ao que tem sido a atividade governativa para marcar posição, e em politica, quando se censura deve-se dizer porquê e propor alternativas, Seguro falhou, e ao afirmar recentemente relativamente à decisão do Tribunal Constitucional, “Quem criou o problema, que o resolva!!!”, falhou novamente, parece-me que face a quinze anos de governação socialista nos últimos 20 anos em Portugal, todos sabemos quem criou o problema maior…
Noutro campo, sindicatos e patrões propõem, num consenso estranho, o aumento do salario mínimo para 500€, proposta interessante e que ajuda quem mais precisa, mas logo condicionaram a proposta a uma descida da TSU, justificando o consenso momentâneo! Obrigando mais uma vez a ser o estado ou todos nós, conforme o ângulo pela qual desejemos analisar, a pagar a proposta de sindicatos e patrões. É necessário recolocar a economia a funcionar de forma efetiva, sem subsídios e dependência do estado!!!
Por fim, o Tribunal Constitucional achou que devem ser tratados como iguais, aqueles que são em tudo diferentes, trabalhadores do publico e do privado, chumbando quatro normas constantes no OE2013, mostrando que ainda não percebeu a latente inconstitucionalidade da situação de emergência de Portugal, motivado pelo sucessivo desgoverno durante anos, efetuado por aqueles que hoje dizem “és muito novo”, mas no passado tiveram todas as oportunidades com a idade desta geração, que hoje luta por um resgate efetivo da situação muito grave de desemprego jovem, gerando uma nova diáspora portuguesa, fugindo do nosso investimento em educação para o estrangeiro.
Em suma, faltam lideres, grandes lideres europeus, como os que governavam no passado a Velha Europa para que possamos não ter de assistir a exemplos como os que Seguro, por exemplo, tem dado nos últimos tempos.
Quanto mais fortes são as oposições, mais fortes serão os Governos!

Bruno Costa
Membro da Assembleia Municipal de Aveiro (PSD)
Ex-Presidente JSD Aveiro


Segunda-feira, 8 de Abril de 2013

JSD Aveiro quer o contributo da sociedade civil para o manifesto eleitoral

A Juventude Social Democrata da concelhia de Aveiro pede à sociedade civil um contributo para a elaboração do seu manifesto eleitoral.

A medida tem como objetivo principal receber as ideias sobre a juventude para o concelho de Aveiro, bem como perceber as necessidades e as ideias dos cidadãos e que podem contribuir para a evolução social e económica do concelho.

A JSD Aveiro considera muito importante a participação de todos os aveirenses neste manifesto, sublinhando o facto de que só com o contributo de quem vive na concelho é que se poderá construir uma cidade, que corresponda às necessidades e características dos seus cidadãos.

A JSD Aveiro quer escutar a voz de quem realmente necessita de ser escutado.

Esta medida de pluralidade pretende também uma aproximação dos que estão mais afastados da politica, dos jovens e dos aveirenses em geral esperando desde já o contributo de todos.


O contributo poderá ser feito através de correio electrónico (aveiro2017@gmail.com),






Terça-feira, 26 de Março de 2013

JSD passa factura de 78 mil milhões de euros a José Sócrates


A Juventude Social Democrata passou uma factura ao antigo primeiro-ministro de 78 mil milhões de euros, pelos "seis anos de desgovernação" e pela hipoteca do "futuro da juventude portuguesa".
A Juventude Social Democrata (JSD) emitiu uma factura que tenciona entregar amanhã, 27 de Março, ao antigo primeiro-ministro, José Sócrates, informou a organização em comunicado.

Será à porta da RTP, estação de televisão, onde a partir de Abril o ex-primeiro-ministro o voltará às intervenções públicas regulares, através do comentário político, que a JSD apresentará a Sócrates a factura dos “6 anos de desgovernação”. O montante ascende aos 78 mil milhões de euros e corresponde, segundo aquela juventude partidária, ao valor da hipoteca do futuro da juventude portuguesa.

A entrega da factura será realizada no dia em que Sócrates dá uma entrevista à RTP.

Quinta-feira, 21 de Março de 2013

"Responsável pela bancarrota tem espaço no canal pago pelos portugueses"

O líder da JSD, Hugo Soares, em declarações, esta tarde, à comunicação social mostrou-se contra ao regresso de Sócrates à vida política nacional, desta vez como comentador na RTP.

Hugo Soares falou ainda pelas gerações mais jovens dizendo que "hoje o país está indignado" com o regresso do responsável pela situação actual de Portugal.

Hugo Soares lembrou que José Sócrates é o "campeão das PPP's, da dívida pública, dos défices públicos e da parque escolar".

O líder da JSD e deputado à Assembleia da República deixou na pagina pessoal do Facebook aquilo que referiu à imprensa nacional.

Mensagem de Hugo Soares no Facebook:

Acabei de prestar declarações à imprensa: "hoje toda uma geração, todo um País, está indignado. O Campeão das PPPs, da dívida pública, dos défices públicos, da parque escolar; o responsável material e formal por levar o País à bancarrota e a um pedido de resgate que tem para os portugueses as consequências que todos conhecemos, é agora o convidado de honra semanal da RTP, estação publica que é paga pelos impostos de todos os portugueses".

Terça-feira, 19 de Março de 2013

Mais razão que emoção

Bruno Costa, Presidente Honorário da JSD e Membro da Assembleia Municipal de Aveiro, diz que "dizer que a maioria dos militantes presentes na assembleia eram a favor da candidatura do Engenheiro Ribau Esteves parece um pouco pretensioso".

Intervenção na íntegra:

É já público que o processo de seleção do candidato do PSD às próximas eleições autárquicas não está a ser fácil para a Comissão Política Concelhia.

Não por força das escolhas em causa, mas mais pela emoção que tem sido sustentada por alguns militantes, ditos “históricos” (como se os partidos não fossem também feitos de renovação).

Quando a Comissão Política Concelhia do PSD de Aveiro decidiu, num ato verdadeiramente democrático, auscultar a sensibilidade dos seus militantes, estaria, com toda a certeza, longe de imaginar a falta de sensibilidade, de bom senso, de respeito, que alguns demonstraram após a Assembleia de Militantes da passada sexta-feira.

É certo que a carta de incentivo à candidatura do Eng. Ribau Esteves, tornada pública e subscrita por um grupo de “notáveis” (seja lá o que isso represente) não comporta nenhuma inverdade, nem deturpação da realidade. Sendo certo que, a bem da verdade, também não traduz, com a devida clareza, todos os factos.

Reconhece-se os argumentos da opção manifestada por alguns militantes na candidatura do Eng. Ribau Esteves. Mas não deixa de ser verdade que também houve quem manifestasse o desejo num terceiro mandato do Dr. Élio Maia, bem como quem questionasse, até, a possibilidade do Tribunal Constitucional inviabilizar, por impedimento legal, a candidatura do ainda presidente da autarquia de Ílhavo e da CIRA.


Dizer que a maioria dos militantes presentes era a favor da candidatura do Eng. Ribau Esteves parece um pouco pretensioso, já que apenas se fundamenta nas intervenções e não numa indicação, de facto, do sentido da opção dos cerca de duzentos social-democratas presentes. Para isso, seria suposto que o plenário dos militantes, a maioria não usando da palavra, estivesse de acordo com os defensores da candidatura do Eng. Ribau Esteves. Isso não pode ser garantido porque não foi apurado.

Por outro lado, quando se afirma na carta aos militantes que “as intervenções foram diversas e díspares e prolongaram-se até cerca da uma da manhã” parece contradizer a firmação de que a maioria deseja Ribau Esteves nos destinos da autarquia aveirense.

Além disso, a “dignidade, respeito e elevação” descritos igualmente na carta pública teriam muito mais valor se toda a discussão e debate tivesse, como solicitado e reiterado nas várias intervenções, permanecido restrito e discreto. Ou ainda o paradoxo entre o solicitar à Comissão Política Concelhia “coerência e isenção” na sua opção (que estatuariamente lhe compete) e vir, para a praça pública, exercer uma inqualificável e condenável pressão política. O momento próprio terminou, tal como descrito, à uma da manhã de sexta-feira para sábado, as emoções ficaram registadas nas intervenções proferidas (por sinal, pelo tal conjunto de “notáveis”, mais críticas em relação à atuação do Dr. Élio Maia do que, propriamente, mais defensoras das virtudes do Eng. Ribau Esteves)… restava agora a racionalidade e a ponderação necessárias para a melhor opção.

Pelas candidaturas, pela Comissão Política Concelhia, pelos militantes, pelo PSD-Aveiro, por Aveiro, tudo isto era, obviamente, escusado. Apenas justificado por algum saudosismo de protagonismo.

Dispensava-se.



Sexta-feira, 8 de Março de 2013

Hugo Soares: "Este governo ou sai escorraçado ou sai em ombros"

O presidente da JSD diz que os jovens não se revêem na classe política e admite que é difícil ter voz para defender o governo de Passos


A conversa com o presidente da JSD começa pelas fotografias. Faz um sorriso forçado e exclama que “nos tempos que correm” é difícil sorrir melhor. Hugo Soares diz que mudar o mundo “devagarinho” e não se importa de dar a cara por manifestações por melhores condições para a geração que “está enrascada”.
Antes de a entrevista começar disse que nos dias que correm é difícil não fazer um sorriso amarelo. E é difícil ser jovem do PSD?
É difícil ser político e ser dirigente. E de uma estrutura de juventude partidária ainda é mais. Os jovens não estão afastados da política. Nunca como agora - e as manifestações são prova disso - os jovens se interessaram tanto pelo futuro colectivo. Outra coisa é o afastamento dos políticos: não se revêem na classe política.
O que pensa a JSD fazer para aproximar jovens e políticos?
As pessoas só se aproximam se reconhecerem nos políticos um exemplo. O grande papel das juventudes partidárias é dar a visão de um jovem sobre os problemas transversais do país. A reforma do Estado é uma questão fundamental. Outra é credibilizar a vida pública. Já apresentámos três propostas ao primeiro-ministro: ao nível dos partidos entendo que o financiamento partidário e de campanhas deve ser exclusivamente público, o que acaba com a lógica de que há pessoas com interesses a financiar partidos; na Assembleia da República proponho que se crie um conselho de ética que analise do ponto de vista ético (e não de lei) as incompatibilidades dos deputados; e por fim, ao nível do governo houve uma lógica de encomendar legislação a escritórios de advogados que não faz sentido, quando temos universidades com os melhores professores a precisarem de ser financiadas.
Miguel Relvas deu o exemplo aos jovens portugueses?
Na esfera de actuação dele enquanto ministro, tem sido um excelente ministro.
A pergunta era no sentido político…
Percebo que a pergunta seja se um ministro que tem sido atacado por um conjunto de questões deve continuar no governo? Essa é uma responsabilidade do primeiro-ministro…
Os portugueses olham para Miguel Relvas e vêem essa credibilidade que defende?
Não vou extrapolar. O presidente da JSD tem total confiança no desempenho das funções do ministro.
É uma resposta politicamente correcta.
Não é. Não sou de meias palavras. Não concebo que num país como este se linche publicamente uma pessoa.
É isso que está a acontecer?
Acho que se tentou fazer isso com ele. Não concebo isso se não houver razões fundadas. Que se diga: “Este tipo mentiu, falseou”. Não o vi mentir. “Este tipo é um incompetente”. Não acho que seja.
É difícil defender o governo tendo em conta as manifestações na rua?
Não. Acho que não é. O que é difícil é ter voz para defender o governo.
Concorda com tudo o que o governo faz?
Não, como é evidente. O governo, como todos, comete erros e vai fazer muitas coisas mal. Acho que Passos Coelho vai sair como o melhor primeiro-ministro da história de Portugal. Até porque acho que este governo só tem duas hipóteses: ou sai escorraçado ou sai em ombros. A missão patriótica e histórica é de tal grandeza que não tem duas alternativas. Vamos rezar para que saia em grande. Se isto corre mal, e eu não acredito, é uma catástrofe. Agora é difícil ter voz. É uma lógica de mediatismo. Se quiser ser notícia, consigo sê-lo todos os dias, basta dizer mal.
Isso não foi o que fez Passos Coelho quando foi líder da jota e Cavaco era primeiro-ministro?
Acho que discordou quando teve de discordar. Por exemplo, há umas semanas saiu a ideia de que o serviço militar obrigatório poderia voltar. Se isso acontecesse o governo tinha-me na linha da frente contra essa loucura. Não me sinto também nada confortável com o facto de haver jovens que não recebem bolsas porque os pais têm dívidas às finanças. Já pedi uma reunião com o ministro da Educação. Não acredito num país onde há jovens que não estudam porque não têm condições, mas também não acredito que independentemente do rendimento, paguem o mesmo.
Defende um modelo diferenciado pelo rendimento?
A questão é: faz sentido um agregado familiar de 10, 15, 20 mil euros pagar as mesmas propinas do que um agregado mais pobre?
Qual é o modelo a seguir?
Quem mais ganha tem de pagar mais para que quem não tem possibilidades possa pagar menos.
Os impostos não fazem já essa diferenciação?
Sim, mas a verdade é também que os impostos não chegam para pagar o Estado social. É preciso encontrar um mecanismo que seja sustentável e a nossa geração deve defender este Estado social.
Como é que é possível cortar os 4 mil milhões ou a reforma do Estado ou as poupanças, como prefere agora o governo dizer, sem ser na Saúde, Educação e Segurança Social?
A JSD foi a primeira a querer liderar esse debate. Não quero que haja uma meta. Foi um erro político colocar a questão dizendo que tem de se reformar cortando quatro mil milhões. A questão é que queremos reformar o Estado porque queremos dar-lhe sustentabilidade.
Isso é o que defende António José Seguro, que diz que está disposto a debater a reforma sem ser cortar os quatro…
… sem que se corte nada. O maior atentado ao Estado democrático foi o que o PS fez ao recusar participar na comissão parlamentar. Todas as discussões difíceis, Seguro não as quer fazer. António José Seguro chegou a líder do PS sem ter opinião sobre coisa alguma. Não o consigo respeitar pela forma enviesada, titubeante, irresponsável como assume ser o líder do maior partido da oposição. Voltando à reforma. Quando saí do congresso mandei uma carta à JS a desafiá-los para nos sentarmos à mesa a discutir. Era um exemplo de maturidade.
Qual foi a resposta?
Passados três meses disseram que estão muito disponíveis, mas que nós temos uma visão muito diferente por isso nem vale a pena. Esta falta de vontade de consenso político incomoda-me.
A defesa dessas ideias e manifestações constantes como a do passado sábado não é a prova de que o PSD se está a afastar dos portugueses?
Vou dizer uma crueldade que sei que as pessoas, sobretudo a laranjada, não gosta que se diga. Vivemos há 35 anos num país onde toda a gente diz mal, o diagnóstico está feito há muitos anos, a primeira vez que um governo começa a mexer em tudo, falando a verdade, as pessoas afastam-se porque não é popular, não é eleitoralista. Se a consequência de o governo fazer o que tem de fazer é preciso perder eleições, então eu estou como o Passos: que se percam as eleições.
O partido aceita isso?
Espero bem que aceite. Quero crer que sim.
Tem ouvido muitas queixas?
Sim, muitas.
De amigos?
E dos meus pais. Estar na vida política é uma coisa a full-time. A minha mãe olha para mim e diz-me que lhe cortaram 300 euros de pensão e pergunta-me: “o que é isto?”. E queixam-se. Todos os dias ouço queixas, muitas.
Tem amigos que foram à manifestação?
Devo ter. Os mais próximos não porque no sábado fiz anos e estavam todos na minha festa.
Já foi a alguma manifestação?
Sim, a várias. Liderei algumas quando estava nas associações de estudantes.
Só contra governos socialistas?
Não. Quando acreditava nas causas. Agora não posso ir a uma manifestação que diz “Que se lixe a troika”. Já escrevi um artigo em que pergunto: “E se a troika nos manda lixar a nós?”
Foi à manifestação da “Geração à rasca” quando José Sócrates era primeiro-ministro?
Fui. Foi uma manifestação de uma geração à rasca. E iria outra vez se houvesse uma manifestação que se chamasse “Geração á rasca”.
Se amanhã houvesse uma iria?
Sim, porque a nossa é uma geração enrascada que nunca vai viver como a dos nossos pais.
Mesmo sendo um governo PSD?
Claro que sim. Não significava que estivesse lá a dizer que este governo é uma porcaria, mas iria para alertar as pessoas para a falta de oportunidades que a minha geração tem, que é brutal.
O que tem feito o governo para combater o desemprego jovem?
Reformas estruturais por um lado, ajustamento por outro. Ninguém consegue correr com uma mochila às costas cheia de pedras, que são a dívida e o défice. A aposta na educação é fundamental.
Nuno Crato tem feito o que é suposto?
É um excelente ministro. Há muito para fazer na Educação, sobretudo falar verdade. Vamos falar verdade: o país tem cada vez menos gente, nascem cada vez menos crianças e esse é um grave problema.
O que se deve fazer?
Tem de se reduzir o número de vagas e o número de cursos.
E fechar faculdades ou politécnicos?
Tem de ser reorganizar. É preciso reorientar os politécnicos para a verdadeira função deles: ensino técnico. Acho bem que as pessoas tenham direito aos seus sonhos, mas se disserem que tens de ter média de 18 porque as vagas são poucas e tens de ter uma boa média, então tem de se lutar pela excelência.
O governo está a conseguir travar o desemprego jovem?
É claro que não está porque está a aumentar. E não está porque isto não se faz do dia para a noite.
Esse não tem sido o problema do governo: comunicação e divulgação?
Divulgação não me preocupo que seja um problema porque para foguetes, panfletos, festa-festa, já chegou. Comunicação acho que sim, mas também é muito difícil comunicar quando o país está no estado em que está. Quando se diz um milhão de vezes que se quer reformar o Estado para o tornar sustentável e o que sai é que o governo quer acabar com o Estado social, é impossível. Agora claro que há erros políticos do ponto de vista da comunicação. Há coisas que não deviam ser ditas de uma forma diferente.
O PSD não desapareceu com a ida para o governo?
A JSD não desapareceu. Se o PSD desapareceu não devia. Cada militante do partido devia fazer o que Cavaco Silva disse uma vez: pegar na sua bicicleta e pedalar, explicar às pessoas o que está a acontecer.
Alguns dos presidentes da JSD estão no topo da política. Tens ambições de chegar mais longe?
Sou a pessoa mais realizada do mundo. Adoro aquilo que faço, adoro fazer política e não tenho vergonha de o assumir. Adoro a minha profissão. Adoro ter responsabilidades e mudar a vida das pessoas, devagarinho. Mas amanhã, se o partido e aqueles que fazem as listas e os cidadãos não me elegerem eu tenho uma vida profissional que seguirei sempre. Aquilo que me reserva não sei, mas gosto muito de ter responsabilidades políticas.

Fonte: Jornal I